Resenha de "Lugar Nenhum, de Neil Gaiman"

"- Sabe, Gary - começou Richard -, você já parou para pensar se a vida é só isso?
- Como assim?
Richard fez um gesto vago, indicando tudo ao redor.
-Trabalho. Casa. Bares. Conhecer mulheres. Morar na cidade. A vida. Será que é só isso?"

Insatisfeita com o livro sujando no banco publico, mas não querendo perder o efeito cult e conceitual
Foto por Luana Garcia (#Punk)


Livro: Lugar Nenhum (Neverwhere)
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Informações Adicionais: 336 páginas; 1° ed; 2016

"Lugar Nenhum" é um romance do escritor britânico Neil Gaiman. Escolhi esse livro, meu amigo leitor, como o primeiro de minhas resenhas.

A Edição

Capa da Edição
Site da Amazon 
A edição da Intrínseca me agradou. A arte de capa funciona, assim como as cores - verde, composta por detalhes em dourado- que ressaltam a aura de fantasia da história. O acabamento é brochura, o que o torna mais frágil, e possui 23 cm de altura e 1,70 cm de profundidade, porte médio.

Quanto ao conteúdo da edição, é simples, mas trás alguns pontos adicionais. As partes interiores da capa e contra-capa trazem ilustrações do mapa do metrô de Londres, que é interessante para acompanhar a história. Admito que não os usei, porque sou extremamente chata com os meus livros e tenho medo de danifica-los - para ter noção, leitor, costumo carrega-los em sacos plásticos dentro da minha mochila.
Além disso, conta com uma introdução do próprio Gaiman, um conto a mais e uma cena cortada de outras edições.

Pontos positivos:
- Composição Visual agradável e bela;
- Conteúdo extra.

Pontos Negativos:
- Frágil;
- Levemente grande, para o padrão médio.

A História

Comentar a história é, sem dúvida, minha parte favorita. Olho para parte da edição e acho tudo tão técnico - parece uma daquelas resenhas chatas. Enfim, comentários a parte, "Lugar Nenhum" é um dos meus romances favoritos, assim como Neil Gaiman é um dos meus autores favoritos.
Acompanhamos Richard Mayhew, um jovem de seus vinte e poucos anos, extremamente bondoso e equivalente em inocência - típico protagonista pamonha. Ele nos representa dentro do universo do livro e segue quase à risca o monomito da "Jornada do Herói", conceituado pelo antropólogo Joseph Campbell, 1949. Ele se muda para Londres, se estabelecendo profissionalmente e socialmente.
O plot da história se dá quando Richard salva uma menina, aparentemente sem teto, ferida no meio da rua. E, após isso, todos ao redor param de "enxerga-lo", como se ele fosse invisível, levando-o à uma "nova Londres".

A princípio, o enredo parece meio bobo, admito, mas quem conhece Gaiman sabe que nada em seu trabalho é literal e superficial. O escritor de Sandman, Coraline, Deuses Americanos e muitos outros recheia suas obras com filosofia e sociologia de uma forma sútil. Obviamente, Lugar Nenhum não é diferente.
A história traz uma crítica social forte ao contexto urbano. Como a disparidade econômica e social transforma o indivíduo das camadas ditas "mais baixas" em "invisíveis". Todo o contexto da invisibilidade social ganha uma visão fantástica, onde a capital britânica se ramifica em duas.

Os personagens são misteriosos, assim como o universo em que se inserem, que não entendemos plenamente nem ao terminar o livro. Assim como Richard, começamos a questionar se realmente a vida é somente chata e superficial. Sempre tive essa impressão e, após termina-lo, parece cada vez mais fixada.
Não é a jornada de Richard em busca da sua vida antiga que fascina, é todo o contexto, o cenário em que Gaiman nos joga. Que, por mais que seja repleto de fantasia, mostra-se tão real e cabível.
O livro possui esse plano de fundo sério com bastante bom humor - que, por vezes, me lembrou da escrita de Douglas Adams, escritor de Guia do Mochileiro das Galáxias, provável reflexo do humor britânico. O protagonista e sua relação com os outros personagens diverte e aprofunda o enredo

O Veredito

Lugar Nenhum cativa o leitor com a sua escrita leve e constante. Agradável e divertido, mescla uma história simples e direta a um contexto repleto de críticas sociais e filosóficas.Nem tudo do universo é revelado, o que deixa a cargo do leitor imaginar e teorizar.

Antes de terminar a resenha - que está enorme, por sinal -, informarei que a continuação foi anunciada pelo próprio Gaiman faz alguns meses. O livro foi publicado em 1997 - ano importante, já que eu nasci nele -, como versão alternativa de uma série de TV roteirizada
 pelo próprio Gaiman 1996.

Obrigada, meu caríssimo leitor, por chegar até aqui. Adoraria o seu feedback quanto o tamanho e o conteúdo da resenha. Não atribuirei notas aos livros pois não acho legal ou necessário.

#Punk




Resenha de "Lugar Nenhum, de Neil Gaiman" Resenha de "Lugar Nenhum, de Neil Gaiman" Reviewed by Luana Garcia on março 01, 2017 Rating: 5

Tag: 50 tons de livros!

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